O estádio é encantador. O gramado é impecável, tudo leva as cores vermelha e branca e as instalações são super conservadas. Isto se deve muito a postura dos torcedores. “El templo del fútbol”, como é conhecido, está localizado num bairro pequeno chamado La Paternal. Seus moradores sentem um orgulho enorme pela principal atração do lugar e a tratam como se fosse sua própria casa.
Perto?
Atrás de uma das balizas, não há arquibancada. No seu lugar, há algumas árvores lindíssimas, o que torna o estádio ainda mais bonito. Entretanto, por esse mesmo motivo, é difícil imaginar que alguma equipe visitante se sinta pressionada jogando no “Templo del fútbol”. O projeto para a construção de uma arquibancada nessa parte do estádio já existe. Os dirigentes do Argentinos Juniors estão esperando que a Legislatura da Cidade de Buenos Aires o aprove.
Uma das minhas motivações para ir a uma partida do Argentinos Juniors na sua casa era ver a torcida deles. Isso porque a “hinchada” do “Bicho” havia me impressionado no jogo contra o Vélez Sársfield que assisti no Estádio José Amalfitani. Acho que criei expectativa demais. Ontem, as arquibancadas estavam vazias (o público não foi divulgado) e, às vezes, a torcida do Banfield fazia mais barulho que a local. Mesmo assim, deu pra perceber que as músicas puxadas pela torcida organizada eram bem animadas e empolgantes. Outra coisa que não tinha como não sentir era o cheiro de maconha. Impressionante como se consome esta droga aqui em Buenos Aires. (Relaxa, mãe.) Não me lembro de, no Rio de Janeiro, sentir esse cheiro em quase todos os lugares como sinto aqui.
GOOOOOOOL! Argentinos Juniors 1 x 0 Banfield
Só um fato com relação à estrutura do estádio me deixou descontente: ter minha visão da partida atrapalhada pelo alambrado. Assisti ao jogo na parte da arquibancada onde fica a torcida organizada. Por isso, aí a grade de proteção é maior. Se você ficar sentado, não há como ver alguma parte do gramado sem ser atrapalhado pelo alambrado. Já em pé e no nível mais acima dos degraus, é possível ver uma pequena parte do campo sem nada a sua frente. Por isso, achei caro o preço do ingresso. Comprei o mais barato (a Associação de Futebol Argentino determina que custe quarenta pesos), e me custou cinquenta pesos (por volta de vinte e cinco reais). A moça da bilheteria me disse que os 10 pesos a mais que paguei se chamam “bono” e são uma contribuição para o clube. Contribuição obrigatória! Fazer o que, né?! Até janeiro de 2009, o ingresso mais barato de um jogo da Primeira Divisão argentina tinha que custar vinte e quatro pesos. Menos de dois anos depois, já tem estádio cobrando cinquenta. A inflação é um problema crônico na Argentina. Hasta la próxima cancha!