Abaixo da arquibancada, há um lugar que só os sócios podem entrar, mas nada que o jeitinho brasileiro não resolva. Lá dentro, encontrei um restaurante, uma loja de produtos oficiais do Vélez e um mini-museu do clube, em que mais se destacavam uma estátua de José Amalfitani (presidente do clube de 1923 a 1953) e alguns troféus importantes conquistados pelo Vélez. Pena que o mais importante não estava lá: o de campeão do mundo de 1994.
Comprei ingresso para o chamado setor popular, que fica atrás do gol. Custou-me quarenta pesos (por volta de vinte reais) e era o mais barato a venda. É impressionante a proximidade entre a torcida e o gramado, que ficam separados apenas por um alambrado, nesse setor. Já na parte lateral do campo, cabe a um fosso a função de separar torcedores de jogadores. A arquibancada superior é dividida em duas partes, cada parte em uma lateral do campo. Ambas estavam fechadas nesse dia. Elas só são abertas em jogos contra times grandes.
Preliminar do jogo entre Vélez e Argentinos Juniors
Nunca tinha lido ou escutado falar sobre a “inchada” do Vélez. Mas por ser um time grande e conhecido internacionalmente, esperava que seus torcedores fossem como os do River e Boca, ou seja, pensava que ia encontrar uma torcida alucinada e incansável. Estava enganado. Só havia uma torcida organizada. Esta puxava músicas a todo o momento, mas o resto do estádio raramente a acompanhava. Como diz um amigo meu boquense, os “velezanos” têm o “pecho frío”. O único momento digno de destaque da torcida da casa veio com o primeiro dos dois gols que o Vélez faria naquela tarde. Veja o vídeo que fiz da comemoração após o gol de pênalti e diga se reconhece a melodia da música cantada. Fiquei surpreendido com a “inchada” do Argentinos Juniors. Eles cantaram alto o jogo todo. Parecia que eram os donos da casa. Sentei muito perto da organizada do Vélez, mas só escutava a cantoria adversária. Já estou louco para ir a uma partida no estádio deles, onde, segundo o site oficial do Argentinos Juniors, o melhor jogador de todos os tempos deu seus primeiros passos. Não sabia que o Pelé tinha jogado aqui antes de ir para o Santos. Haha.
Torcida do Argentinos Juniors
A partida terminou 2 x 0 para o time da casa. Mais uma vez não dei sorte com a qualidade do futebol. Além disso, os últimos quinze minutos foram um show de pontapés e bordoadas por parte dos jogadores do Argentinos Juniors que estavam irritados com a expulsão de um de seus companheiros e com os gritos de “Olé” dos “velezanos”. Mas a experiência foi válida. A satisfação que sinto ao entrar nos templos do futebol argentino supera qualquer decepção com o nível dos jogadores. Hasta la próxima cancha!