quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Teatro Colón? Menos, "velezanos".

“Bienvenido al Teatro Colón de los estadios.” Assim fui recebido no Estádio José Amalfitani, mais conhecido como “El Fortín”, a casa do Vélez Sársfield. O Teatro Colón é a mais importante casa de espetáculos de Buenos Aires, uma construção lindíssima. A comparação demonstra o orgulho que os “velezanos” têm de seu estádio, inaugurado em 1943, mas é exagerada. Há muitos assentos quebrados, grades de proteção enferrujadas e pontos cegos na arquibancada inferior.

Abaixo da arquibancada, há um lugar que só os sócios podem entrar, mas nada que o jeitinho brasileiro não resolva. Lá dentro, encontrei um restaurante, uma loja de produtos oficiais do Vélez e um mini-museu do clube, em que mais se destacavam uma estátua de José Amalfitani (presidente do clube de 1923 a 1953) e alguns troféus importantes conquistados pelo Vélez. Pena que o mais importante não estava lá: o de campeão do mundo de 1994.

Comprei ingresso para o chamado setor popular, que fica atrás do gol. Custou-me quarenta pesos (por volta de vinte reais) e era o mais barato a venda. É impressionante a proximidade entre a torcida e o gramado, que ficam separados apenas por um alambrado, nesse setor. Já na parte lateral do campo, cabe a um fosso a função de separar torcedores de jogadores. A arquibancada superior é dividida em duas partes, cada parte em uma lateral do campo. Ambas estavam fechadas nesse dia. Elas só são abertas em jogos contra times grandes.

Preliminar do jogo entre Vélez e Argentinos Juniors


Nunca tinha lido ou escutado falar sobre a “inchada” do Vélez. Mas por ser um time grande e conhecido internacionalmente, esperava que seus torcedores fossem como os do River e Boca, ou seja, pensava que ia encontrar uma torcida alucinada e incansável. Estava enganado. Só havia uma torcida organizada. Esta puxava músicas a todo o momento, mas o resto do estádio raramente a acompanhava. Como diz um amigo meu boquense, os “velezanos” têm o “pecho frío”. O único momento digno de destaque da torcida da casa veio com o primeiro dos dois gols que o Vélez faria naquela tarde. Veja o vídeo que fiz da comemoração após o gol de pênalti e diga se reconhece a melodia da música cantada. Fiquei surpreendido com a “inchada” do Argentinos Juniors. Eles cantaram alto o jogo todo. Parecia que eram os donos da casa. Sentei muito perto da organizada do Vélez, mas só escutava a cantoria adversária. Já estou louco para ir a uma partida no estádio deles, onde, segundo o site oficial do Argentinos Juniors, o melhor jogador de todos os tempos deu seus primeiros passos. Não sabia que o Pelé tinha jogado aqui antes de ir para o Santos. Haha.

Torcida do Argentinos Juniors


A partida terminou 2 x 0 para o time da casa. Mais uma vez não dei sorte com a qualidade do futebol. Além disso, os últimos quinze minutos foram um show de pontapés e bordoadas por parte dos jogadores do Argentinos Juniors que estavam irritados com a expulsão de um de seus companheiros e com os gritos de “Olé” dos “velezanos”. Mas a experiência foi válida. A satisfação que sinto ao entrar nos templos do futebol argentino supera qualquer decepção com o nível dos jogadores. Hasta la próxima cancha!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Primeira parada: Monumental de Nuñez

http://www.youtube.com/watch?v=2uxmBgB9Wmc

Quando vi que o River Plate jogaria a primeira partida do Apertura no Monumental de Nuñez, não pensei duas vezes: é para lá que eu vou no domingo (08/08)! Saltei do ônibus a uns 500 metros do estádio, mas ainda não podia vê-lo. Caminhando, consegui ver, entre os galhos de algumas árvores, um pequeno pedaço da parte externa da arquibancada. Foi o suficiente para o sorriso mais espontâneo da minha vida se abrir em meu rosto. Não acreditava que estava diante de um dos estádios mais tradicionais do mundo, palco da final da Copa do Mundo de 1978 e de dois títulos de Libertadores do River.

Fiquei impressionado com a segurança em volta do Monumental. As ruas que rodeiam o estádio foram fechadas para o tráfego de automóveis. Só passavam carros da polícia. Para entrar nessa zona protegida, era preciso ser revistado. Minha decepção foi com o número de cambistas. Eram muitos! Agiam livremente, até mesmo dentro dessa área cercada por policiais, que pareciam fazer vista grossa.

Os portões só foram abertos uma hora e meia antes do horário previsto para o início do jogo. Não entendi isso. Já que todos os ingressos foram vendidos, por que não abrir o estádio com mais antecedência? Resultado: às 14:00, horário que era para o jogo começar, ainda tinha muita gente nas filas em frente aos portões de entrada. Foi então que o alto-falante anunciou que a partida só começaria às 14:20, pois muitos sócios e torcedores com ingresso comprado ainda estavam do lado de fora tentando entrar. A reação da torcida a essa mensagem me impressionou. Todos os presentes aplaudiram (e muito!) a decisão. Aposto que, no Brasil, as pessoas não gostariam que isso acontecesse. Não estou dizendo que os argentinos estão certos e os brasileiros, errados. Estou ressaltando esse fato porque as diferenças culturais me fascinam.

Para entrar no estádio, a polícia fez uma nova revista nos torcedores. Lá dentro, no momento do início do jogo, a atmosfera era incrível. Os únicos lugares vazios eram entre as “inchadas” dos dois times por questão de segurança. A torcida do River é realmente impressionante. “Los Borrachos de Tablón” me pareceu ser a principal torcida organizada. Eles não param de cantar. Não é sempre que os torcedores comuns acompanham as músicas e gritos puxados, mas quando isto acontece, o Monumental vira um caldeirão. A rivalidade com o Boca Juniors é realmente muito grande. Mesmo com o River Plate jogando contra o Tigre, os “millonarios” cantaram inúmeras músicas ofendendo o seu maior rival e seus fiéis.

Antes de o jogo começar, duas provas de como o meia Ariel Ortega é muito ídolo dos “millonarios”. Quando o time todo se aquecia em campo, a torcida não parava de cantar a música feita em homenagem a ele. A letra é muito fácil, pois é só ficar repetindo o nome do jogador, mas com um certo ritmo. Cada nome do time titular do River anunciado pelo alto-falante era recebido com palmas pelos torcedores. Mas nenhum dos aplausos se compara ao que recebeu Ortega. A massa ficou louca, ensandecida. Tal idolatria é justificável. “El Burrito” já conquistou quatro Torneios Apertura, um Torneio Clausura e uma Libertadores jogando pelo River Plate.

Terminado o jogo, tive que esperar 45 minutos para poder sair do Monumental. Razão: a torcida do River só poderia sair depois que todos os torcedores do Tigre tivessem ido embora. Entrei em contato com a Subsecretaria de Esportes de Buenos Aires e me informaram que, por questões operacionais e de segurança, nos estádios argentinos sempre sai uma “inchada” e, logo depois, a outra. Com relação ao tempo de espera, depende do estádio e dos organizadores que estiverem a cargo da partida.

Acima do primeiro parágrafo deste texto, está o link do vídeo que fiz no Monumental. Como no final do jogo a bateria da minha máquina começou a ficar fraca, parei de filmar. Com isso, acabei perdendo o único gol da partida que saiu aos 45 do segundo tempo. Funes Mori anotou para o River. Mas filmei a comemoração após o gol e a vibração da torcida com a vitória. A quem vier a Buenos Aires, o Monumental é parada obrigatória. Hasta la próxima cancha!